DISCURSO DE SUA EXCELÊNCIA JOÃO MANUEL
GONÇALVES LOURENÇO, PRESIDENTE DA REPÚBLICA
DE ANGOLA E PRESIDENTE EM EXERCÍCIO DA UNIÃO
AFRICANA, NA ABERTURA DA SESSÃO DE DIÁLOGO
EMPRESARIAL PÚBLICO-PRIVADO, À MARGEM DA 9ª
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL DE TÓQUIO SOBRE O
DESENVOLVIMENTO DE ÁFRICA - TICAD9
Yokohama, Japão, 21 de Agosto de 2025
Excelência Shigeru Ishiba, Primeiro-Ministro do Japão;
Excelências Chefes de Estado e de Governo de países africanos;
Distintos membros do Governo japonês;
Ilustres Empresários;
Minhas Senhoras, Meus Senhores;
Em nome dos Estados-Membros da União Africana, gostaria de começar por
expressar os nossos agradecimentos ao Governo e ao povo do Japão pela
hospitalidade e calorosa recepção que nos foi reservada desde a nossa chegada em
território japonês.
Reunimo-nos num momento de grande incerteza global, em que as alianças
estabelecidas estão a ser testadas e a ordem mundial a se tornar cada vez mais
complexa. Neste contexto, a parceria África-Japão revela-se mais importante do que
nunca, por ser uma relação que vimos construindo na base do respeito mútuo e na
prosperidade partilhada.
O Japão, com as suas capacidades tecnológicas e espírito inovador, precisa de
parceiros fiáveis e de longo prazo. África, com a sua variedade de recursos naturais,
população jovem e vasto mercado, apresenta-se como a chave para diversificar as
cadeias de abastecimento e garantir um futuro sustentável para as nossas nações e
parceiros estratégicos.
Durante a 8ª Cimeira da TICAD, recordo que o Japão anunciou o objectivo de investir
30 mil milhões de dólares em três anos, tendo já registado progressos assinaláveis,
e o último inquérito da Organização de Comércio Externo do Japão, a JETRO, revela
que 57% das empresas japonesas que operam em África pretendem não só
consolidar, mas também alargar as suas actividades no nosso continente.
Este importante dado não é apenas um indicador da qualidade e oportunidade dos
investimentos, constitui um verdadeiro testemunho e um voto de confiança no
potencial de longo prazo de África para com um valioso parceiro que é o Japão.
Muitos desses investimentos contribuem para o desenvolvimento de infra-estruturas
de energia, transportes e logística, que são fundamentais para a industrialização de
África e integração mais equilibrada na economia mundial, com benefícios recíprocos.
Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
É indiscutível o facto de África ser um continente em crescimento, impulsionado por
uma visão de futuro contida na Agenda 2063 da União Africana. Uma África próspera,
integrada e pacífica, ocupando o lugar que lhe cabe na arena mundial.
Vislumbramos um continente em que a nossa juventude seja capacitada, as nossas
economias sejam diversificadas, as nossas infra-estruturas robustas e os nossos
povos vivam com dignidade e em harmonia.
Esta agenda ambiciosa não se trata de uma simples aspiração, é um quadro
estratégico que orienta os nossos esforços colectivos para a autossuficiência e o
desenvolvimento sustentável.
Recentemente, na Cimeira Empresarial África-EUA que se realizou em Angola,
realçamos a disponibilidade de África para parcerias de negócios que promovam o
seu desenvolvimento.
Esta dinâmica continua aqui em Yokohama. Nós, na União Africana, acreditamos
firmemente que o sector privado é o motor estratégico do crescimento inclusivo e do
desenvolvimento sustentável.
É o sector privado que cria empregos, promove a inovação, impulsiona a
industrialização e constrói a riqueza necessária para que as nossas sociedades
prosperem.
É com esta convicção que defendo constantemente a existência de plataformas como
o Fórum do Sector Privado da União Africana.
Os Estados-membros da União Africana estão comprometidos com a criação de um
ambiente propício ao florescimento dos empresários africanos inovadores, que
assumem riscos e são criadores de emprego, sendo a espinha dorsal das nossas
economias, por traduzirem as nossas aspirações continentais.
E no centro desta viagem transformadora está a implementação da Zona de Comércio
Livre Continental Africana.
Esta iniciativa emblemática da Agenda 2063 constitui um poderoso instrumento de
integração económica, unindo 1,4 mil milhões de pessoas num mercado único com
um PIB combinado superior a 2,8 biliões de dólares.
A Zona de Comércio Livre Continental Africana tem vindo a eliminar barreiras
comerciais, a harmonizar a regulamentação comercial, expandindo mercados e
gerando oportunidades excepcionais para o investimento privado nos mais variados
domínios e sectores da economia.
Tal como será explorado nas sessões temáticas de hoje, desde a diversificação
económica à promoção da integração inter-regional e ao reforço das finanças, a Zona
de Comércio Livre Continental Africana proporciona o quadro para parcerias
verdadeiramente impactantes.
Neste sentido, convido as empresas japonesas a estabelecer e reforçar relações de
cooperação com empresários africanos, a investir em soluções para os desafios que
enfrentamos, a apoiar no desenvolvimento do nosso capital humano e a criar cadeias
produtivas de valor modernas e eficientes, consolidando a parceria estratégica e
histórica entre o Japão e África.
Excelências,
Minhas Senhoras, Meus Senhores,
Uma colaboração benéfica para ambas as partes deve assentar em bases sólidas que
vão, para além do comércio, passa pelo investimento privado directo, a fim de
promover uma relação sustentável a longo prazo que contribua para a prosperidade
partilhada.
Ao iniciarmos este diálogo empresarial público-privado, é importante que nos
comprometamos com resultados concretos.
Apelo à identificação de estratégias operacionais que capacitem os nossos sectores
privados, colmatem as lacunas de investimento, promovam a diversificação e
resiliência das economias e acelerem a realização da Agenda 2063.
O futuro de África é brilhante e com parceiros como o Japão estou confiante de que
podemos acelerar a construção da ‘África que Queremos’, um continente próspero,
integrado e desenvolvido dos pontos de vista económico, técnico-industrial e social.
Muito Obrigado.
SECRETARIA DE IMPRENSA | PALÁCIO PRESIDENCIAL em Luanda, 21 de Agosto de 2025
