Uma aposta para o desenvolvimento sustentável em Angola - Gildo Cabenda
Uma Aposta Para o Desenvolvimento Sustentável Em Angola
No caso particular de Angola, onde ainda pontificam carências de varia ordem no sector da indústria, o Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027, PDN2023-2027 (2023), contempla um vasto conjunto de programas onde se destacam o Programa de Fomento da Indústria transformadora e o Programa de Desenvolvimento da Indústria da Defesa Nacional. À esses programas, encontram-se ancorados vários os objectivos, sendo de destacar, a activação dos elementos-chaves da política industrial, a garantia de melhoria do Sistema Nacional de Qualidade e o aumento da capacidade de produção da industria militar.
Actualmente, muito se discute sobre o 5G e todos impactos que, em
breve ele poderá realizar. Fala-se em uma completa revolução, uma
tecnologia que tornará tudo possível, em tudo e todos se conectarão.
Pode-se se verificar que a cada década surge uma nova evolução dos
padrões de telefonia celular incorporando paulatinamente evoluções
naturais, sejam em hardware ou em software, melhorando os atuais
serviços oferecidos. O 5G é a evolução das redes long term evolution
(LTE), mais conhecidas como 4G. A cada novo padrão, a eficiência
espectral aumenta, sendo possível transmitir cada vez mais dados,
possibilitando a introdução de novos serviços. A tecnologia móvel invade
outros domínios, oferecendo, em certas circunstâncias, a competição à
telefonia e à banda larga fixa, ou mudando a forma como os negócios
existentes operam. O negócio de telecomunicações definitivamente mudou e
isso deve ser levado em consideração pelos reguladores, no intuito de
fomentar a inovação e de facilitar a criação de tamanha infraestrutura
responsável por sustentar a economia digital. Uma das novas
funcionalidades do 5G é aumentar a velocidade de comunicação móvel,
conseguindo, em parte, suprir a demanda reprimida.
O mundo das telecomunicações, da tecnologia da informação e da
mídia continua sendo um dos maiores fenómenos, influenciando de todas as
formas o comportamento das pessoas, das empresas e dos governos. A
internet, mais do que nunca, está em todos os meandros de nossas vidas,
desde uma simples chamada telefônica, passando por processos internos e
pelo controle de empresas, até a influência e decisão de eleições, sendo
a mais poderosa alavanca de transformação da sociedade, responsável por
produzir mudanças econômicas, sociais, políticas e culturais em todo o
mundo.
1.1 Breve descrição da Implementação da tecnologia 5G em Angola:
O
instituto Angolano das comunicações (INACOM) efectivou à atribuição de
licenças para a utilização de frequências com vista a implementação da
tecnologia 5G, aos operadores de comunicações electrónicas no país em
conformidade com o despacho presidencial no200/21, de 23 de Novembro que
autoriza a jurisdição das radiofrequências na faixa dos 3.3 a 3.7 GHz.
Com entrega da referida licença, as operadoras preveem que a
implementação do 5G vai proporcionar mais velocidade na internet,
reduzir custos e permitir uma densidade maior de conexões, em que os
dispositivos sejam capazes de se conectar uns aos outros e melhorem as
redes existentes. O 5G abrange uma combinação entre evolução e
revolução, isto é, por ser um desenvolvimento natural do 4G e porque
chegará ao mercado em etapas, como já aconteceu anteriormente, e por
outro lado aumenta a capacidade de dados, traz novas características,
que podem modificar o ecossistema e trazer uma infinidade de novas
possibilidades e serviços para todos. A figura 1 mostra a evolução dos
padrões de telefonia celular no tempo. Pode-se verificar que a cada
década um novo padrão emerge.
2. PRINCIPAIS DESAFIOS NA IMPLEMENTAÇÃO DA TECNOLOGIA 5G
De acordo com os recentes relatórios trazidos pela Ericsson, estima-se que serão 2,8 bilhões de usuários 5G até o final de 2025, representando cerca de 30% do número total de usuários móveis do mundo. Espera-se que os usuários migrarão mais rapidamente para 5G quando comparado ao 4G LTE, também pelas metodologias anteriormente explicadas conforme é ilustrado na imagem da figura 2.
A capacidade de implantar redes virtuais de ponta-a-ponta
(slices) sobre uma infraestrutura promete desbloquear um novo mundo de
serviços empresariais e potencialmente novas receitas para as operadoras
móveis. Para que isso aconteça, as operadoras não devem apenas
implantar 5G, mas também reformular seus sistemas de suporte operacional
e de negócios no backend (operations support systems/business support
systems – OSS/BSS). Um slice é uma rede personalizada, em que os
clientes podem solicitar parâmetros específicos, de acordo com o serviço
prestado, incluindo taxa de dados, qualidade de serviço (quality of
service – QoS), latência, confiabilidade e segurança, que podem ser
configurados e gerenciados dinamicamente. Antes, tudo dependia
exclusivamente das operadoras, hoje não mais.
3. TENDÊNCIAS NA ERA DIGITAL
A demanda de dados por parte dos clientes cresce muito mais
rapidamente do que a infraestrutura consegue viabilizar economicamente.
Serviços over-the-top (OTT), como Netflix, mudaram, há alguns anos, de
forma irreversível os modelos de negócios e ofertas para os mercados
business- to-consumer (B2C) como business-to-business (B2B). O uso cada
vez maior de vídeos, imagens, dados em geral, tornou realidade o grande
medo das operadoras: transformaram-se em transportadoras de bits
(bit-pipes) e perderam uma posição mais nobre, privile- giada e de maior
controle na cadeia de suprimentos digitais para outros atores. Antes,
tudo dependia exclusivamente das operadoras, hoje não mais.
4. CONCLUSÃO
O futuro que se apresenta traz transformações sem precedentes não somente nas redes de teleco- municações em Angola, mas nos mercados nos quais se adentra, com a transformação digital de indústrias, transportes, cidades e possivelmente governos. O 5G trará o que conhecemos hoje como IoT a outro patamar, conectando bilhões de dispositivos. Apesar de também trazer mais largura de banda e velocidade, as características mais interessantes e diferentes são a possibilidade de redes em malha, baixa latência e redes virtuais, que se adequam ao serviço prestado, incluindo taxa de dados e qualidade de serviço. Em decorrência, as redes precisam ser flexíveis e ágeis para suportar uma variedade de serviços e aplicações.
5. REFERÊNCIAS
(1) BEREC – BODY OF EUROPEAN REGULATORS FOR ELECTRONIC.
(2) Berec Report on Infrastructure Sharing. [s.l.]: Berec, 2018.
(3) CISCO. 2020 global networking trends report. [s.l.]: [s.n], 2020.
(4)
EY – ERNST & YOUNG GLOBAL LIMITED. Digital transformation for 2020
and beyond: a global telecommunications study, [s.l.]: EY, 2017.
(5) Ericsson Radio System Manual;
(6) GSA – GLOBAL SEMICONDUCTOR ALLIANCE. Evolution from LTE to 5G. [s.l.]: [s.n],
2020.
(7) GSMA – GLOBAL SYSTEM FOR MOBILE COMMUNICATIONS.
