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Qual o segredo do êxito do Grupo Carrinho?

 

Qual o segredo do êxito do Grupo Carrinho?




A história do Grupo Carrinho é curiosa: trata-se de uma empresa de raiz familiar, sedeada na província de Benguela, pertencente a Leonor Lusitano Candundo Carrinho e aos seus filhos Nelson Fidel, Rui Alves e Elsa Violeta.Tudo terá começado com um barzinho, na cidade do Lobito, onde a Dona Leonor – uma angolana com bom faro para o negócio – vendia refrescos e refeições.

Mas de repente, e sobretudo nestes últimos anos, o barzinho transformou-se num verdadeiro império na área agroalimentar, com 17 fábricas de processamento de arroz, trigo, milho e várias unidades de refinação de óleos alimentares.

Em pouco tempo, o Grupo Carrinho construiu a maior estrutura de armazenamento de Angola com uma capacidade de 100 mil toneladas de cereais e 55 mil metros cúbicos de tanques de armazenamento de produtos oleaginosos. O administrador da Carrinho Indústria, o português Dércio Catarro, que tem também assento no Conselho de Administração da holding, frisa que o grupo cresceu por mérito próprio. “O segredo é, acima de tudo, muita paixão”, disse Dércio Catarro em entrevista exclusiva à DW.

“Este projeto é liderado por dois irmãos – Nelson e Rui Carrinho, o presidente e o vice-presidente da empresa – e depois todos esses CEOs, no qual estou incluído, com muita paixão pelo desenvolvimento e por pôr Angola no mapa, como país que consegue fazer a verticalização completa e ser autossuficiente na sua produção alimentar”. Recentemente, o grupo recebeu o financiamento de 57 milhões de euros do Deutsche Bank para a construção de fábricas de processamento de girassol e soja em Angola.

O CEO da Carrinho Indústria, Dércio Catarro, insiste: “Este crédito é fruto do trabalho e da competência da empresa e não do beneficiamento por parte do Governo”. Falando à DW a partir da cidade alemã de Düsseldorf, o administrador da Carrinho Indústria esclarece que o que o grupo recebeu do banco alemão foi uma linha de créditos aberta a todas as empresas angolanas. Dércio Catarro salienta que o grupo preparou, durante dois anos, todos os requisitos solicitados pelo Deutsche Bank.

“Não há ninguém que empreste nada a ninguém. Há uma linha de crédito do Deutsche Bank para com Angola desde há anos e que nunca foi usada, porque as empresas nunca tiveram a possibilidade de ter todos os requisitos para que essa linha de crédito fosse acionada”, esclarece Dércio Catarro.”No final, o que teríamos que ter era uma garantia da parte do Governo angolano, uma garantia soberana, que pudesse garantir que esse projeto fosse avante.”