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PROCESSO DE MANUEL VICENTE ACUSADO DE MAIOR CORRUPTO DA HISTÓRIA DA JUSTIÇA ANGOLANA NÃO AVANÇA

 

PROCESSO DE MANUEL VICENTE ACUSADO DE MAIOR CORRUPTO DA HISTÓRIA DA JUSTIÇA ANGOLANA NÃO AVANÇA



Não há progresso no processo envolvendo o ex-vice-presidente angolano, Manuel Vicente enviado por Portugal, para julgamento em ANgola, na altura o visado tinha imunidade, que agora já não disfruta.

Em Portugal, o caso de corrupção levou o magistrado português nele envolvido a ser condenado; mas à parte que supostamente o corrompeu, Manuel Vicente, parece nada acontecer.

Em Portugal uma ONG local, Frente Cívica, pediu a reabertura das investigações pela justiça portuguesa ao ex governante angolano, por branqueamento de capitais.

Especialistas na matéria em Angola e em Portugal mostram-se cépticos quanto ao andamento da justiça por parte das autoridades angolanas.

A VOA tentou falar com Paulo de Morais da ONG portuguesa Frente Cívica que solicita a reabertura das investigações ao Engenheiro Manuel Vicente mas não obtivemos qualquer resposta.

Falando com a VOA sobre o processo a Manuel Vicente o investigador da Universidade de Oxford e colaborador do portal angolano Maka Angola, Rui Verde, diz que desde que não sejam ligados aos factos do processo transferido para Angola, estes não podem voltar a ter outro tratamento em Portugal; contudo há outros factos ligados ao ex-vice-presidente de Angola que são do interesse da jurisdição portuguesa e podem ser abertos e reabertos.



No caso do Engenheiro Manuel Vicente, o investigador diz que “ficou mal na fotografia, numa situação em que condenou o procurador português, a parte corrompida mas o suposto corruptor está a rir-se alegremente no Dubai, um o procurador português preso, o outro o angolano a tomar banho na praia quente do Dubai não fica bem a justiça portuguesa com isso”

O investigador da universidade britânica defende para Angola um mini sistema de justiça à parte só para cuidar de casos específicos sobre corrupção.

“Tem que existir um sistema diferente mais pequeno que eu chamo de mini sistema apenas dedicado a corrupção, talvez fazer como a África do Sul, uma comissão Zondo, que escolhesse os casos principais que se criasse uma polícia própria, tribunais próprios teria de implicar uma revisão rápida da constituição e não continuar como ocorre agora onde nada avança”

Na mesma linha de pensamento sobre este caso do Eng Manuel Vicente está a constitucionalista e deputada da UNITA, Mihaela Webba.

“A justiça portuguesa ficou manchada onde julgou e condenou a parte passiva corrompida o magistrado português enquanto a parte activa que corrompeu, o cidadão angolano, que na altura tinha imunidade, remeteu o processo para Angola que até ao momento nada fez, provavelmente o cidadão angolano terá escolhido um País que não tenha extradição, logo é fugitivo da justiça tanto portuguesa como a da parte angolana”

O jurista e também professor ligado ao MPLA, João Pinto pergunta-se “o que eu não entendo é como se o processo do Eng Manuel Vicente tinha sido enviado à Angola, e em Portugal o processo é reaberto temos de aguardar as autoridades competentes no quadro da legalidade constitucional e as garantias constitucionais e convencionais e dos Direitos Humanos e de defesa do envolvido tem para se defender, deixemos que a justiça se desenrole tanto de um lado como do outro”

O jurista e presidente da AJPD, Serra Bango, diz não esperar grandes avanços quanto à justiça angolana que para ele é refém do poder político.

“A onda que reabre em Portugal provavelmente o efeito virá à Angola mas parece-me que do nosso lado não se espera grande avanços. Aqui quando o caso é a arraia miúda, a imprensa é célere, aparece logo a dizer que o director tal foi julgado e condenado por corrupção, desvio de dois milhões de cuanzas, já nos casos do colarinho branco que roubam milhões e milhares vivem à grande e a francesa, como os senhores soberanos ainda reclamam imunidades e protocolos”

A VOA tentou ouvir o procurador da república de Angola junto da Direcção Nacional de Prevenção e Combate a Corrupção Hermenegildo Nicolau, o qual nos disse que a altura não era a mais adequada para falar.