ALGUÉM QUE SE ALIA À CORRUPÇÃO PODE PRETENDER COMBATER A CORRUPÇÃO? – CARLOS ALBERTO
mansões, casas no Mussulo, etc., e os jornalistas e opinion makers, estranhamente, só olham para quem é do MPLA para falar de corrupção.
Aliás, na última campanha eleitoral – e eu chamei atenção sobre isso na TPA, enquanto comentador -, todos vimos que o partido UNITA se juntou a pessoas que manifestamente entraram na corrupção no tempo de José Eduardo dos Santos. E muitos acharam isso normal porque a ideia que se criou é “tirar o MPLA do poder a qualquer custo”. Essa ideia, per si, é corrupta. Não agrega valores à sociedade. Deve-se tirar o MPLA do poder com autoridade moral. Se a oposição entra na imoralidade para tirar o seu rival do poder não serve para uma Nação séria.
A filha de JES, Tchizé Dos Santos, até veio a público dizer, de forma categórica, que apoiou (e procurou apoios) Adalberto Costa Júnior para se tornar Presidente da República e mostrou o seu descontentamento pelo facto de o líder da UNITA ter aceitado entrar no Parlamento, aceitando os resultados eleitorais a favor do MPLA/João Lourenço.
Estou com isso a dizer que um partido na oposição que se alia a pessoas que delapidaram este país perde, também, autoridade moral para defender a criação de uma “Alta Autoridade Nacional Contra a Corrupção”. A ideia não é de toda errada. O problema está na premissa (partidária) e na falta de autoridade moral da UNITA para falar em “Combate à Corrupção”.
Um gatuno, por exemplo, não pode vir a público dizer que pretende combater roubos. É um paradoxo!
É justamente por isso que venho chamando atenção aos políticos da oposição que “na política, não pode valer tudo”. A ideia de se tirar o MPLA do poder “a qualquer custo” é muito perigosa e traiçoeira.
Todos podem sonhar chegar ao poder mas as vias para lá chegar devem ser trilhadas com sentido de Estado, com responsabilidade pública, para que tenham autoridade moral para criticar quem está/esteve no Governo.
No nosso país, faltam-nos pessoas (incluindo políticos da oposição) com autoridade moral.
Nós criámos falsas referências em todos os sectores da vida pública. Crescemos com muita mentira (incluindo nos partidos da oposição).
Quem são os angolanos com idoneidade reconhecida que podiam integrar essa “Alta Autoridade Nacional Contra a Corrupção”? Quem tem esse perfil em Angola? Os da UNITA?
Um Combate à Corrupção (sério) ultrapassa os partidos políticos.
