A briga pela guarda do antigo Presidente angolano que se encontra em coma em Barcelona – envolvendo as filhas e a esposa Ana Paula dos Santos, apoiada pelo governo de Angola -
está a ir para um caminho idêntico ao que aconteceu em Outubro de 1998, quando o regime e a UNITA disputaram diante de um tribunal de Joanesburgo pela tutela dos restos mortais de um sobrinho de Savimbi, Arlindo Chenda Pena “Ben Ben”. A única diferença é que em Barcelona não há morto.
Naquela batalha, que aconteceu em território sul africano, estava a esposa Matilde Pena, que acompanhou “Ben Ben”, até ao fim e por outro lado o governo angolano, intercedendo junto do Tribunal Sul Africano dizendo que “Ben Ben” não tinha uma única esposa, pelo que havia uma outra, senhora “Maximissa”, que também tinha uma palavra a dizer. “Maximissa” era uma jovem da JMPLA, que “Ben Ben”, conheceu, no planalto central, quando a UNITA regressou às cidades depois da assinatura dos acordos de paz de Bicesse e que o falecido general, a levou à Luanda quando foi tomar posse como Vice-Chefe de Estado Maior das FAA.
A esposa Matilde Pena e os pais de “Ben Ben”, que foram despachados pela direção da UNITA da Costa do Marfim para Joanesburgo, ganharam a batalha judicial, e o general foi enterrado num cemitério da África do Sul, conforme vontade de Savimbi e não em Angola, como era o desejo de Luanda.
Em Barcelona, os advogados das filhas de Eduardo dos Santos alegam que o casamento de JES, e Ana Paula não foi objecto de acento neste país europeu, e com isso não é valido, em Espanha. Sendo assim, a tutela por JES recai para primogénita Isabel dos Santos. Prevendo possíveis cenários desconfortáveis a volta desta briga, o regime angolano apresentou ao Centro Teknon de Barcelona, uma suposta carta dizendo ser da autoria de JES a pedir que a esposa Ana Paula dos Santos fosse a pessoa que deveria cuidar dele. Com isso, a clinica incluiu o nome de Ana Paula dos Santos ao lado de Isabel dos Santos como as responsáveis únicas do paciente.
Os advogados das filhas querem apuração sobre a autenticidade da suposta carta atribuída a JES. As filhas tem convicção que a carta não foi escrita pelo pai, porque nos meses, o ex-PR estava com problemas de musculação e sem poder mover as mãos para escrever ou comer. Para irritação das filhas, a clínica de Barcelona diz que só vai tirar o nome de Ana Paula como responsável de JES mediante de uma ordem do Tribunal. Enquanto não há parecer do tribunal Ana Paula dos Santos e Isabel são as guardiãs de JES. A ex-primeira dama pode agora entrar e sair quantas vezes quiser da clinica.
O caso agora já foi remetido para o Tribunal que vai decidir sobre o futuro de JES, e investigar sobre eventuais agendas insensíveis contra o doente, conforme queixa apresenta. Dada a urgência envolvendo uma vida, o tribunal trabalhou este final de semana.
Teme-se que a seriedade das autoridades angolanas possa ser posta em causa, caso as investigações do Tribunal de Espanha, venham a detectar que a assinatura da suposta carta não corresponde ao do homem que governou Angola por 39 anos.
Se for autentica, ficamos todos poupados de um vexame em terras de Franco.
José Gama
